RIO - Os estudantes da Universidade Gama Filho (UGF) tomaram um susto
ao emitirem o boleto da mensalidade de janeiro. A data de vencimento,
alegam, mudou do dia 10 para o dia 1. E no valor, um aumento que chega a
35% no caso dos alunos que cursam os últimos anos do curso de Medicina.
Indignados, eles prometem uma manifestação para o dia 5 de janeiro, em
frente ao campus da Candelária, onde será realizado a prova do
vestibular 2012 da instituição. Um dos líderes do movimento, Paulo
Bastos está no 5º ano de Medicina e foi atingido pelas “novidades”. Ele
explica que o aumento foi de 25% na mensalidade, além de terem cassado
um desconto de 10% dado a quem fica como interno em hospitais
conveniados.
O aluno recebeu um e-mail no dia 13 de dezembro com
um comunicado da UGF dizendo que o aumento na mensalidade para os
ingressantes em 2012 não seria o mesmo para quem já era estudante da
universidade. O texto garantia também descontos e bolsas já existentes, o
que não aconteceu. Na hora da emissão do boleto, veio a surpresa.
-
O valor da mensalidade pulou de R$ 2.770 para R$ 3.450 para os
estudantes de Medicina em geral. Os internos, como eu, passam os dois
últimos anos da faculdade dentro do hospital. Como a universidade não
tem uma unidade própria, fico no Hospital Central da Aeronáutica, que é
conveniado. Por isso davam um desconto de 10% que agora não existe mais.
Só que a Gama Filho não avisou nada. Quando emitimos o boleto é que
apareceu o reajuste. Não deram tempo para as pessoas se programarem. Tem
gente de fora do Rio que está pensando em largar a faculdade - reclama
Paulo.
A Lei 9.870/99, que regula os contratos entre instituições
de ensino e os estudantes, não proíbe reajustes, mesmo altos. No
entanto, eles devem ser justificados através de uma planilha de custos
detalhada, levando em conta, inclusive, investimentos
didático-pedagógicos.
Outro prejudicado, Gustavo Fontenelle conta
que os coordenadores e diretores da universidade não sabiam explicar o
que tinha acontecido. Ele questiona o momento em que foi tomada a
decisão: a única hora em que a instituição pode desligar um estudante
por falta de pagamento é na hora da rematrícula, que ainda será feita
para o primeiro semestre de 2012. Logo, todos serão obrigados a pagar
para garantir a vaga.
- Perguntei para o coordenador do curso de
Medicina, e ele não sabia de nada. Fomos conversar com o pró-reitor e
ele também não podia dar explicações. No caso dos internos, o aumento na
mensalidade chega a R$ 1.050. Nossa intenção era depositar em juízo o
valor. Eles argumentam que estão fazendo várias melhorias, mas que não
saíram do papel. O tal do hospital-escola que eles anunciaram, na
verdade é um arrendamento de uma clínica já existente, não estão
construindo nada - questiona.
Sob nova direção, demissões em massa
Internamente,
as mudanças continuam. Rumores dão conta de que cerca de 300
profissionais foram demitidos desde o início de dezembro. E, antes do
Réveillon, mais 150 docentes que trabalhavam em hospitais através de um
convênio com a Gama Filho, teriam sido dispensados como parte da
reestruturação promovida pela Galileo Educacional, que comprou a UGF no
ano passado. Parte deles seria substituída por funcionários
terceirizados. Sobre o assunto, o grupo informou através de uma nota que
está em andamento mudanças no corpo administrativo e acadêmico da
instituição, devido a nova gestão.
Em 2011, a família que
comandava a Gama Filho desde a sua fundação vendeu a universidade para a
Galileo Educacional, uma gestora criada especialmente para atuar no
mercado da educação superior. Depois da Gama Filho, o grupo adquiriu o
Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), que vivia em dificuldades
financeiras, e pretende promover uma sinergia das operações. Para
viabilizar essas as aquisições a Galileo realizou uma emissão de
debêntures no valor de R$ 300 milhões de reais. Curiosamente, foi dado
como garantia desses títulos as mensalidades dos alunos de Medicina da
UGF. Segundo informações do próprio grupo, em dezembro de 2010, o
dinheiro a receber estimado com base nas matrículas já feitas chegaria a
R$ 296 milhões.
Em outra nota, a Galileo Educacional justificou
os aumentos pela mudança de entidade filantrópica para entidade com fins
lucrativocs, que gerou um crescimento dos custos de R$ 25,48%. A
gestora aponta também diversos investimentos que estão em andamento na
universidade para justificar o reajuste como aumento do acervo
bibliográfico, obras em diversos prédios e inauguração do único hospital
universitário privado do Rio de Janeiro, na Barra. Já a ouvidora da
UGF, Verônica Campos, disse em mensagem postada no site “Reclame aqui”,
que seriam dados descontos para facilitar a permanência dos veteranos. O
valor na mensalidade para os futuros estudantes giraria em torno de R$
3.700 no caso do curso de Medicina, abaixo dos R$ 3.450 cobrados dos
atuais alunos após o reajuste.