Jornalista da Adital Natasha Pitts
No marco do 25 de novembro, Dia Internacional pelo Fim da Violência contra a Mulher, a Secretaria de Políticas Públicas para as Mulheres da Prefeitura de Fortaleza, Ceará, em articulação com a Secretaria de Cultura, promoveu na última sexta-feira (4), na Coordenadoria de Políticas Públicas para as Mulheres, uma Conferência Livre de Cultura com o tema: Mulher, Cultura e Comunicação.A Conferência, que teve a participação de integrantes de movimentos de mulheres, de economia solidária, do Centro de Referência de Assistência Social – Cras e de organizações da sociedade civil, se insere nas atividades que marcam os "16 dias de ativismo pelo fim da violência contra a mulher”, realizado no mundo todo.
Além da participação de Raquel Viana, secretária de Políticas Públicas para as Mulheres, a Conferência recebeu ainda Tatiana Raulino, da Coordenadoria Especial de Políticas para as Mulheres, e a assistente social Luana Paula Moreira Santos.
Em sua fala de abertura, Raquel Viana chamou à reflexão sobre as outras dimensões em que a violência contra a mulher se insere. "Vivemos uma cultura de violência contra as mulheres, por isso precisamos refletir sobre como a sociedade naturaliza a violência contra a mulher e faz com que a gente não se choque mais. É responsabilidade do poder público e é papel do Estado contribuir para que esse pensamento da sociedade seja mudado. Se o poder público não está comprometido com outra lógica da sociedade ele vai reproduzir isso”, manifestou a secretária.
A fala de Tatiana Raulino caminhou no mesmo sentido de levar as mulheres a refletir sobre seus direitos e seu papel na sociedade. A representante da Coordenadoria de Mulheres lembrou ainda que a Prefeitura de Fortaleza mantém, em caráter permanente, uma campanha de enfrentamento à violência contra a mulher. Cruzando os assuntos mulher e cultura, a campanha terá como tema "Por uma cultura de respeito e não violência contra a mulher”.
As participantes da Conferência Livre de Cultura também tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho de pesquisa da assistente social Luana Paula, intitulado A subordinação feminina na cultura popular cearense – Uma análise das músicas de forró na contemporaneidade. Partindo deste tema, Luana iniciou uma discussão sobre o machismo e o sexismo enraizados nas músicas do forró pé-de-estrada (também conhecido como forró eletrônico e forro universitário).
A pesquisadora colocou que o machismo e o patriarcalismo próprios da cultura cearense são repassados para as músicas, assim várias formas de subordinação feminina se estabelecem nas músicas de forró. Não é difícil encontrar canções de forró em que a mulher sempre é culpada pela brigas ou que ela é culpada porque ficou feia e mal-tratada e por isso o homem sai para a noitada sem hora para voltar. Além disso, a mulher também é colocada em diversas músicas como "puta” e interesseira.
A exposição da assistente social suscitou vários debates e até chocou algumas mulheres que nunca tinham prestado atenção em letras ofensivas como a que diz: "pode jogar uma bomba no cabaré/que eu junto o caco das putas pra formar uma mulher” (Música Bomba no Cabaré – banda Mastruz com Leite).
A Conferência Livre teve continuidade com a criação de diretrizes e propostas para a IV Conferência Municipal de Cultura - a ser realizada de 18 a 20 de novembro -, que sugeriu, entre outras coisas, a não contratação para festas, por parte da Prefeitura Municipal de Fortaleza, de bandas que apresentem em suas músicas a imagem da mulher depreciada.
Além da participação de Raquel Viana, secretária de Políticas Públicas para as Mulheres, a Conferência recebeu ainda Tatiana Raulino, da Coordenadoria Especial de Políticas para as Mulheres, e a assistente social Luana Paula Moreira Santos.
Em sua fala de abertura, Raquel Viana chamou à reflexão sobre as outras dimensões em que a violência contra a mulher se insere. "Vivemos uma cultura de violência contra as mulheres, por isso precisamos refletir sobre como a sociedade naturaliza a violência contra a mulher e faz com que a gente não se choque mais. É responsabilidade do poder público e é papel do Estado contribuir para que esse pensamento da sociedade seja mudado. Se o poder público não está comprometido com outra lógica da sociedade ele vai reproduzir isso”, manifestou a secretária.
A fala de Tatiana Raulino caminhou no mesmo sentido de levar as mulheres a refletir sobre seus direitos e seu papel na sociedade. A representante da Coordenadoria de Mulheres lembrou ainda que a Prefeitura de Fortaleza mantém, em caráter permanente, uma campanha de enfrentamento à violência contra a mulher. Cruzando os assuntos mulher e cultura, a campanha terá como tema "Por uma cultura de respeito e não violência contra a mulher”.
As participantes da Conferência Livre de Cultura também tiveram a oportunidade de conhecer o trabalho de pesquisa da assistente social Luana Paula, intitulado A subordinação feminina na cultura popular cearense – Uma análise das músicas de forró na contemporaneidade. Partindo deste tema, Luana iniciou uma discussão sobre o machismo e o sexismo enraizados nas músicas do forró pé-de-estrada (também conhecido como forró eletrônico e forro universitário).
A pesquisadora colocou que o machismo e o patriarcalismo próprios da cultura cearense são repassados para as músicas, assim várias formas de subordinação feminina se estabelecem nas músicas de forró. Não é difícil encontrar canções de forró em que a mulher sempre é culpada pela brigas ou que ela é culpada porque ficou feia e mal-tratada e por isso o homem sai para a noitada sem hora para voltar. Além disso, a mulher também é colocada em diversas músicas como "puta” e interesseira.
A exposição da assistente social suscitou vários debates e até chocou algumas mulheres que nunca tinham prestado atenção em letras ofensivas como a que diz: "pode jogar uma bomba no cabaré/que eu junto o caco das putas pra formar uma mulher” (Música Bomba no Cabaré – banda Mastruz com Leite).
A Conferência Livre teve continuidade com a criação de diretrizes e propostas para a IV Conferência Municipal de Cultura - a ser realizada de 18 a 20 de novembro -, que sugeriu, entre outras coisas, a não contratação para festas, por parte da Prefeitura Municipal de Fortaleza, de bandas que apresentem em suas músicas a imagem da mulher depreciada.
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