17/11/2011
Movimento exige fim do privilégio aos bancos e um basta na imensa concentração de riqueza
Escrito por: Leonardo Severo
Diante da tomada do centro financeiro do império por estudantes,
sindicalistas, organizações comunitárias e sociais - manifestantes do
“Ocupa Wall Street” - que reivindicam o fim do privilégio aos bancos e
um basta na imensa concentração de riqueza, o governo dos Estados Unidos
trocou George Washington por Washington Luiz, tratando o grave problema
social como caso de polícia.
A violência da repressão, com a utilização de centenas de policiais,
helicópteros, caminhões, balas, bombas e nuvens de gás lacrimogêneo,
multiplicou o número de presos e feridos graves em Nova Iorque e em
algumas das 100 principais cidades por onde o protesto, que já dura dois
meses, se espraia. A agressão e o sangue derramado provocaram um
tsunami de solidariedade ao movimento, ridicularizando as cínicas
pregações de Barack Obama e Hillary Clinton sobre “democracia” e
“direitos humanos”.
A evacuação do acampamento ocorreu no meio da noite com tropas
amparadas por holofotes de helicópteros e imensos faróis em caminhões
para cegar com jatos de luz, somada a uma camioneta com ensurdecedores
“canhões de som”. Os policiais ganharam carta branca para atuar com a
segurança da impunidade – diante do brutal impedimento a qualquer
cobertura da imprensa. Foram confirmadas várias prisões de jornalistas,
incluindo dois da AP (Associated Press), um do Daily News e um blogueiro
do New York Times, além do vereador Ydanis Rodriguez. Tais ingredientes
turbinaram a reação à ditadura do capital financeiro.
A reprovação popular vai além das duras críticas ao desastre
político-econômico que isenta impostos dos ricaços em meio à escalada do
desemprego – que atinge 25 milhões de pessoas - e ao alastramento da
miserabilidade que atinge 49 milhões de norte-americanos. Os protestos
aumentam de tom, indo à própria raiz antidemocrática de um sistema
“caduco” que, privilegiando 1%, dá às costas aos 99%.
Como expressou um manifestante expulso por policiais da Praça
Liberdade, em Nova Iorque, durante a madrugada: “Não podem desalojar uma
ideia cujo momento chegou”. Outra mensagem postada nas redes sociais
ironizava o fato da polícia ter ocupado a praça: “Só esperamos entender
quais são as suas demandas”. A crítica é uma alusão ao argumento
corriqueiramente utilizado pelos meios de comunicação a serviço dos
especuladores, de que falta ao movimento Ocupa uma plataforma. É assim
que a mesma mídia que invisibilizou as reivindicações durante as
primeiras três semanas - e que agora desinforma sobre os seus pleitos –
tem pautado as suas coberturas.
Em Nova Iorque, a ordem de expulsão ocorreu a uma da manhã, quando foi
dado aos manifestantes apenas dez minutos para deixar o local, sob pena
de prisão. A biblioteca de cinco mil livros foi completamente
desmantelada e virou escombros, assim como a cozinha que oferecia comida
grátis, a clínica que atendia a todos, o centro de comunicação e,
logicamente, as barracas onde pernoitavam cerca de 200 pessoas. No
total, 146 manifestantes da praça e outros 24 que haviam ocupado um
pequeno parque – que se negaram a abandonar o local - foram cercados,
algemados e presos, um a um, e jogados ao chão sob as botas dos
policiais.
Contatadas via celular e internet, centenas de pessoas que se
deslocaram em solidariedade aos acampados no meio da noite foram
impedidas de chegar ao local e mantidas distantes pela truculência
policial. “Como podem dormir à noite fazendo isso?”, “Desobedeça as
ordens, tu também és dos 99%”, “Isto não é o fim de nada, é o início de
algo novo”, foram algumas das conclamações e questionamentos lançadas
pelos populares que conseguiram chegar até o local, apesar do fechamento
das estações de metrô e demais meios de transporte durante horas. Um
indignado veterano de guerra disparou: “Eu dei sangue e partes do corpo
por este país para isso?”
Ao anoitecer de terça-feira uma decisão judicial manteve a proibição do
acampamento, impedindo os manifestantes de levar barracas ou comidas à
praça. Determinados, os “indignados” não arredaram pé e reocuparam,
erguendo a voz: “Todo o dia, toda a semana, ocupa Wall Street”.
Fonte: CUT
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